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Universal e Spotify: uma jogada brilhante

Se vocês me leram durante o último ano, devem ter me visto dizer que a IA representa uma ameaça brutal para a renda dos músicos. As grandes empresas de tecnologia usam centenas de milhares de catálogos para treinar seus modelos sem pedir permissão. Com isso, são capazes de gerar obras que competem diretamente com os artistas humanos pelos royalties de streaming. Trata-se de uma transferência gigantesca de valor da indústria criativa para a tecnológica.

A CISAC, a Confederação Internacional de Sociedades de Autores e Compositores, estima que os músicos perderão cerca de 24% de sua renda até 2028.

Houve processos, casos isolados em que instituições tentaram frear os grandes donos dos modelos de IA. Do meu ponto de vista, é como querer parar a chuva com as mãos. A velocidade das Big Techs e seu poder de influência na economia global são incomparáveis. Sinceramente, não vejo uma solução viável para isso.

Mas Spotify e Universal fizeram uma jogada brilhante que tem o potencial de equilibrar a balança por outro ângulo.

O acordo

A Universal, que domina aproximadamente 30% do mercado global de música gravada, firmou com o Spotify um sistema de opt-in onde os artistas da gravadora podem escolher ceder o direito de que suas músicas sejam usadas para criar covers e remixes com IA. Em vez de continuar lutando uma batalha perdida, construíram um modelo onde a criação com IA é legal, consensual e remunerada.

  • O fã pode fazer isso pagando um valor extra sobre sua assinatura Premium.
  • O artista e a Universal recebem por esse direito.
  • O Spotify adiciona uma nova camada de receita por assinante que antes não existia.

Vale esclarecer que a UMG controla os direitos do fonograma, ou seja, os masters, mas uma música também tem uma segunda camada: os direitos de composição, que são administrados pelas sociedades de gestão coletiva. Como o acordo se articula com essa camada é uma pergunta ainda sem resposta.

Uma jogada brilhante

No xadrez, uma jogada é qualificada como brilhante quando um jogador faz um movimento que não parecia possível mas é, e que além disso é o melhor entre todas as alternativas. Um movimento que muda a dinâmica da partida.

A realidade é que por enquanto só se aplica a artistas da Universal, já que nem Sony nem Warner assinaram ainda. Portanto, o jogo ainda está por ser definido.

Em outros posts falei sobre conteúdo sem alma, sobre o excesso de arte gerada com IA que poderia tornar cinza tudo o que consumimos. Talvez eu esteja certo, embora espero que não. O certo é que este acordo parece uma jogada brilhante, e só o tempo poderá refutá-lo ou validá-lo.